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Quadrinhos viram ferramenta de conscientização social na EJA


Ao buscar uma maneira de debater o assédio moral e a violência de gênero no ambiente de trabalho, um grupo de pedagogos da Universidade do Estado de São Paulo (USP) incluiu, na sua apostila de aprendizado da Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma forma divertida de conscientização.

Em 2026, a partir da apostila Práticas de Alfabetização e de Matemática – anos iniciais do ensino fundamental, alunos da EJA puderam conhecer a Engenheira Eugênia, uma personagem criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicato de Engenheiros (Fisenge). Ela surgiu para dar voz às mulheres da profissão e suas lutas por direitos trabalhistas.

Para a diretora do coletivo de mulheres da Fisenge, uma das cocriadoras do projeto, Simone Baía, a demanda era necessária.

“Em uma categoria que até então, hoje em dia tem mudado um pouco, mas naquela época ainda era muito masculina, era um massacre, a quantidade de homens era muito maior do que agora. Nós tínhamos que ter um instrumento, uma maneira fácil de transmitir a coisa”, diz.

A maneira foi criar uma série de tirinhas em quadrinhos publicadas no site da federação, explorando temas como assédio moral, violência contra a mulher, instalação de banheiro feminino em canteiros de obras e no campo, combate ao racismo e à LGBTQIAPNfobia.

Segundo Simone Baía, é papel dos sindicatos criar pontes de diálogo com a sociedade, e a educação é uma ferramenta essencial para essa transformação. E parte desse trabalho chegou até a EJA, pensando na conscientização dos alunos sobre violência de gênero no ambiente de trabalho.

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Brasília (DF), 31/03/2026 - História em quadrinhos vira ferramenta de conscientização social na EJA. Tirinhas da Engenheira Eugênia fazem parte do material de apoio pedagógico. Foto: Fisenge/Divulgação

Brasília (DF), 31/03/2026 – História em quadrinhos vira ferramenta de conscientização social na EJA. Tirinhas da Engenheira Eugênia fazem parte do material de apoio pedagógico. Foto: Fisenge/Divulgação – Fisenge/Divulgação

No quadrinho escolhido, a Engenheira Eugênia sofre assédio moral do seu chefe durante o trabalho e é desqualificada por ele por ser mulher. A proposta da atividade vai além do conteúdo: convida estudantes a reconhecerem essas situações e a refletirem, por meio do diálogo, sobre respeito, igualdade e direitos no ambiente profissional.

E não é a única interação entre o projeto do coletivo e propostas em sala de aula. A iniciativa Viaduto literário apresentou os quadrinhos para crianças do Morro da Providência, na região central do Rio de Janeiro, buscando conscientizar as crianças sobre oportunidades e representatividade.

“As professoras mostraram e aí perguntaram, o que é um engenheiro? O que é uma engenheira? Eles disseram que era uma profissão de gente rica, que não era para eles”, ressaltou Simone.

Nos quadrinhos, a personagem principal é uma mulher negra, engenheira com 15 anos de profissão, mãe de dois filhos e divorciada.

Para o coletivo, era importante trabalhar a representatividade desde o início, quebrando estereótipos ligados à área da engenharia e gerando identificação com a realidade das mulheres que fazem a “jornada dupla”, conciliando o emprego remunerado com as atividades domésticas.

“Tira essa coisa de que a engenharia é só uma profissão de gente rica e que não se preocupa com os pobres. Você traz para a questão realmente social, que é a nossa preocupação enquanto sindicato de federação”, destacou.

Conquistas 

A personagem Engenheira Eugênia já foi traduzida para o inglês, apresentada pelo coletivo em fóruns sindicais internacionais, virou animação e também ganhou espaço em tirinhas de marca página. Em 2016 a iniciativa ganhou o Prêmio Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho) de Direitos Humanos na categoria cidadã em comunicação sindical.

“A gente mantém esse trabalho porque nós entendemos que é uma forma importante de comunicação, de discussão, e a gente quer uma sociedade melhor. Então entendemos que ela pode contribuir com isso também. Discutir é o primeiro passo para mudar alguma coisa”, disse Simone Baía.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.



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